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Chapada Diamantina Edition


CURATED STAYS FOR EVERY ESCAPETHE NEWS TRAVEL é uma newsletter de curadoria de viagens que vai além do check-in: cada edição traz destinos escolhidos a dedo, onde o design, a experiência e a atmosfera são destaques. É um convite para descobrir acomodações que transformam qualquer viagem em uma lembrança inesquecível. STAY ALWAYS. | ![]() The Peninsula Motoring Series, Califórnia |
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CHAPADA DIAMANTINA
A Chapada Diamantina tem três rostos — e a verdade é que quase ninguém volta de lá conhecendo todos. Afinal, são 38 mil km² repletos de atrações, com bases de hospedagem completamente diferentes entre si.

Lençóis é a entrada clássica: charmosa, estruturada e com boa oferta de restaurantes e passeios. O Vale do Capão tem um ritmo alternativo, trilhas mais intensas e silêncio de mato. Já Igatu, vilarejo de pedra tombado pelo IPHAN, parece um passeio à parte.
Cada uma dessas bases entrega uma experiência completamente diferente — e a melhor escolha, como você vai ver aqui, é combinar pelo menos duas delas na mesma viagem.
COMO E QUANDO VISITAR
A porta de entrada é via Salvador e, a partir de lá, existem três caminhos possíveis:
Avião direto para Lençóis (LEC): A cidade tem um pequeno aeroporto, mas a malha aérea é bastante restrita. Atualmente, a rota é operada pela Azul, geralmente com voos saindo de Salvador em poucos dias da semana. Vale checar a disponibilidade diretamente com a companhia antes de fechar o roteiro. Do aeroporto até o centro de Lençóis são cerca de 20 km, percorridos de táxi ou transfer.
Ônibus Salvador–Lençóis: Operado pela Real Expresso e pela Rápido Federal, o trajeto dura cerca de 6 horas, com passagens a partir de R$ 140. Há saídas pela manhã (entre 8h e 9h), à tarde (entre 13h e 14h) e no período noturno (entre 22h e 23h).
Carro próprio: São cerca de 420 km pela BR-324 e BR-242, em um trajeto de aproximadamente 5 a 6 horas. No geral, a estrada entre Salvador e Lençóis é boa, mas boa parte do percurso não conta com iluminação. Por isso, vale evitar dirigir à noite.
Para circular pela Chapada, o ideal é alugar um carro em Lençóis. As principais locadoras possuem pontos de atendimento no aeroporto da cidade, o que facilita bastante a logística do roteiro.
A melhor época para visitar a região vai de abril a outubro, durante a estação seca, quando o céu costuma estar mais limpo e as trilhas mais seguras. Já entre novembro e março, as cachoeiras ficam mais volumosas, mas o clima tende a ser mais instável, com maior chance de chuva.
E, se a viagem acontecer em junho, melhor ainda — pelo menos para quem gosta de festa. É mês de São João e as cidades da Chapada Diamantina ganham barraquinhas, bandeirolas, decoração junina e shows em praças e coretos, deixando a região inteira com um clima ainda mais especial.
LENÇÓIS
A cidade é a porta de entrada clássica da Chapada Diamantina. Tem casario colonial, ruas de pedra, bons restaurantes, agências de turismo e uma vida noturna mais movimentada. É a base ideal para uma primeira viagem — ou para quem quer fazer o circuito mais conhecido, com atrações como o Morro do Pai Inácio, a Gruta da Lapa Doce, o Poço Azul e a Pratinha, sem precisar encarar uma logística complicada.
E é justamente aos pés do Morro do Pai Inácio, já na região de Palmeiras, próximo de Lençóis, que fica uma boa parada no caminho: o Lila Orquidário. O restaurante mistura cozinha artesanal e pratos bem elaborados, com vista privilegiada para o morro. O balanço voltado para o vale — clássico nas fotos da Chapada — virou quase uma atração à parte.
ONDE SE HOSPEDAR
Vila Pugliesi Hotel Boutique | Nasceu da paixão de uma família pela região após uma viagem de descanso — e da vontade de transformar as memórias dos antepassados italianos em hospedagem. O resultado é uma vila com piscina, jardins amplos e café da manhã servido à mesa, em formato à la carte. As diárias para casal, com café da manhã incluído, giram em torno de R$ 1.300 a R$ 1.400 por noite (sujeitas a variação por temporada).
Canto das Águas | Às margens do Rio Lençóis e dentro do centro histórico, é um dos endereços mais bem localizados da cidade. O charme está justamente em poder fazer tudo a pé, a poucos passos das ruas de pedra, dos restaurantes e do movimento do centrinho. As diárias para casal, com café da manhã incluído, partem de cerca de R$ 1.300 por noite (sujeitas a variação por temporada).

via Canto das Águas
Hotel de Lençóis | A cerca de 500 metros do centro, é a opção que combina infraestrutura completa — piscina, restaurante e bosque interno — com um charme baiano mais discreto. Funciona bem para quem prefere uma estadia menos urbana, com espaço para desacelerar entre um passeio e outro. As diárias para casal partem de cerca de R$ 834 por noite (sujeitas a variação por temporada).

Hotel de Lençóis via Xico Diniz
IGATU
A cerca de 100 km de Lençóis, Igatu é o único distrito da Chapada Diamantina inteiramente dentro do parque nacional — e talvez o cenário mais cinematográfico da região.
Uma estrada de pedra de 12 km sobe a serra e entrega, no fim da subida, um vilarejo que o tempo quase apagou. O trajeto é sinuoso, e isso faz parte da experiência: a estrada mantém o desenho original do período colonial.
No auge do ciclo do diamante, em meados do século XIX, a vila chegou a ter cerca de 9 mil habitantes e vida própria: cassinos, cabarés, cartório e até cinema. Quando o garimpo entrou em colapso e os moradores foram embora, as casas de pedra ficaram. Décadas depois, nos anos 2000, o conjunto foi tombado pelo IPHAN.
Hoje, vivem em Igatu menos de 400 pessoas. Uma delas é Amarildo dos Santos, que mantém um censo manuscrito da vila em cadernos vendidos na própria casa — o único registro demográfico contínuo da comunidade.

via IPHAN
A ideia por lá é dedicar o dia a esse lado da Chapada Diamantina, combinando Igatu com o Poço Encantado e o Poço Azul no mesmo roteiro, especialmente entre abril e setembro, quando os raios de sol transformam os dois poços em verdadeiros espetáculos naturais.
No Poço Encantado, o fenômeno costuma acontecer com mais intensidade entre 1º de abril e 10 de setembro, das 10h às 13h30. Já no Poço Azul, o efeito aparece entre abril e setembro, principalmente entre 12h15 e 14h30.
E, para quem quiser se aventurar ainda mais para dentro da Chapada, vale seguir até Mucugê, a cerca de 21 km de Igatu. A cidade tem um clima tranquilo, arquitetura histórica preservada e funciona como outra boa base para explorar a região sul do parque.
É também nessa parte da Chapada, já na Serra do Sincorá, que fica a Vinícola UVVA, a cerca de 47 km de Igatu. A vinícola também abriga o restaurante Arenito, mas tanto as visitas quanto as reservas funcionam apenas mediante agendamento prévio.
VALE DO CAPÃO
Vilarejo de poucos quilômetros de extensão — ainda oficialmente chamado de Caeté-Açu — o Vale do Capão mistura simplicidade, natureza e uma atmosfera quase mística.
Conhecido por atrair viajantes em busca de terapias holísticas e dias mais desacelerados, o centrinho gira em torno de uma rua principal e de uma pequena praça onde moradores e visitantes se encontram sem pressa.
Apesar do ritmo tranquilo, é também o ponto de partida para algumas das trilhas mais intensas da Chapada Diamantina. É dali que saem tanto a trilha da Cachoeira da Fumaça por baixo quanto a travessia clássica do Vale do Pati.
ONDE SE HOSPEDAR
Casa do Valle Hotel Boutique | A hospedagem mais sofisticada do Vale do Capão. Um boutique hotel em meio à natureza da Chapada Diamantina, com quartos voltados para as montanhas, piscina ao ar livre, spa e restaurante próprio. A experiência mais refinada da região, e com nota máxima entre os hóspedes no Booking.
Pousada do Capão | Referência local há mais de 30 anos, fica a cerca de 2,5 km da vila. Mais do que uma pousada, funciona quase como um pequeno complexo em meio à natureza: são três restaurantes, adega, biblioteca, spa, horta orgânica, parreiral de uvas, rio natural para banho e até um anfiteatro. Uma boa escolha para quem quer passar alguns dias sem precisar sair dali para nada.
O QUE FAZER
A trilha mais famosa da região é a da Cachoeira da Fumaça — uma das maiores quedas d’água do Brasil, com cerca de 400 metros de altura — e ela pode ser feita de duas formas.
A versão “por cima” é a mais popular e acessível: são cerca de 6 km no total, com 2 km iniciais de subida mais intensa e duração média de 2h30 a 3h. O visual impressiona justamente porque a água despenca em um cânion tão profundo que, dependendo da força do vento, parece evaporar antes de tocar o chão — daí o nome Fumaça.
Já a trilha “por baixo” é outra experiência. Considerada uma das travessias mais desafiadoras da Chapada Diamantina, exige preparo físico, guia e acampamento selvagem. O percurso costuma durar três dias, somando entre 36 km e 44 km de caminhada, geralmente saindo do Vale do Capão e terminando próximo de Lençóis. A recompensa é chegar ao piso do cânion e ver a queda d’água de frente, cercada pelos paredões gigantescos da Chapada.

Foto: Rodrigo Dantas
A travessia do Vale do Pati também costuma começar no Capão. Considerado um dos trekkings mais bonitos do Brasil, o percurso leva de 3 a 5 dias, com mochila nas costas e pernoites em casas de moradores locais espalhadas pelo vale.
A rota mais clássica entra por Guiné e termina em Andaraí, atravessando montanhas, rios, mirantes e áreas completamente isoladas. Guia local é indispensável.
ROTEIRO IDEAL
Se a ideia é conhecer diferentes lados da Chapada Diamantina sem transformar a viagem em uma correria, nossa sugestão é reservar pelo menos 6 a 7 noites. É o tempo ideal para equilibrar cachoeiras, trilhas mais intensas, vilarejos históricos e momentos de descanso entre um deslocamento e outro.
A divisão que costuma funcionar melhor é: 3 noites em Lençóis, aproveitando a estrutura da cidade como base para os passeios da região — incluindo um dia dedicado a Igatu, ao Poço Encantado e ao Poço Azul — e mais 3 noites no Vale do Capão, para viver a Chapada em um ritmo completamente diferente, entre trilhas, cachoeiras e dias mais silenciosos.
Para quem gosta de trekking e topa uma experiência mais imersiva, ainda vale encaixar a travessia de 3 dias do Vale do Pati entre uma base e outra. Nesse caso, o ideal é adicionar mais algumas noites à viagem para não sacrificar o restante do roteiro.
PACKING PICK
Uma boa companhia para entrar no clima da viagem — ou prolongar a experiência depois da volta — é o livro do publicitário e fotógrafo baiano Kiko Silva sobre a Chapada Diamantina. Depois de percorrer todo o litoral da Bahia, de Mucuri a Mangue Seco, e de mergulhar na Baía de Todos-os-Santos em trabalhos anteriores, Kiko volta o olhar para a serra. O resultado é um livro de fotografia que captura a Chapada em diferentes camadas, entre paisagens, detalhes, luz e cotidiano. | ![]() |
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