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Viena Edition

the opening note

Nesta edição, embarcamos para Viena no outono, entre palácios imperiais, cafés históricos e salas de concerto que preservam séculos de tradição musical.

Reunimos dicas para descobrir a capital austríaca, um livro capaz de transportar o leitor para a Viena de 1900 antes mesmo de fazer as malas e recomendações de quem conhece a cidade de perto.

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VIENA NO OUTONO

Em Viena, até pedir um café tem história. As cafeterias tradicionais são tão importantes para a identidade da cidade que sua cultura foi reconhecida, em 2011, como patrimônio cultural imaterial da Áustria. É uma tradição que ajuda a explicar a relação dos vienenses com o passado, em uma capital onde arte, música e arquitetura continuam fazendo parte da vida cotidiana.

No outono, essa atmosfera fica ainda mais convidativa. Entre setembro e novembro, os parques e jardins ganham tons dourados, as temperaturas começam a cair e a temporada cultural movimenta teatros e salas de concerto. É o momento de alternar caminhadas pelos jardins dos antigos palácios com tardes nos cafés históricos, visitas a museus e noites dedicadas à música clássica.

Dois palácios para entender a Viena imperial

Para compreender a dimensão do passado imperial de Viena, vale conhecer duas antigas residências dos Habsburgo: Schönbrunn, o palácio de verão, e Hofburg, que concentrou o poder da dinastia durante séculos.

Comece por Schönbrunn, antiga residência de verão da família imperial. O palácio impressiona pelos salões rococós e pela riqueza dos interiores, mas a visita não termina dentro do edifício. Seus extensos jardins reúnem fontes, esculturas e caminhos que levam até a Gloriette, construção situada no alto de uma colina, de onde se tem uma vista privilegiada do conjunto.

No coração de Viena, Hofburg revela outra face da vida imperial. Ampliado ao longo de séculos, o complexo reúne edifícios de diferentes períodos e abriga, entre outras atrações, os antigos apartamentos imperiais e o Museu Sisi, dedicado à imperatriz Elisabeth. Mais do que uma residência, foi um dos principais centros de poder dos Habsburgo, cuja influência ainda pode ser percebida na arquitetura da cidade.

A dica é não tentar conhecer os dois palácios às pressas. Reserve algumas horas para explorar Schönbrunn e seus jardins. Já Hofburg, por sua localização central, pode ser combinado com uma caminhada pelo centro histórico.

Onde se hospedar: clássico ou contemporâneo?

Em Viena, a hotelaria também reflete o encontro entre passado e presente. Há endereços que preservam a elegância dos tempos imperiais e outros que reinterpretam esse legado por meio do design contemporâneo. Selecionamos duas opções para quem quer descobrir diferentes maneiras de se hospedar na capital austríaca.

O Almanac Palais Vienna ocupa um edifício histórico em frente ao Stadtpark, no centro da cidade. Por trás da fachada clássica, os interiores apostam em linhas contemporâneas, materiais sofisticados e uma estética que contrasta com a arquitetura original. É uma escolha para quem gosta da atmosfera histórica de Viena, mas prefere vivê-la em um ambiente de linguagem mais atual.

Já o Hotel Sacher Vienna representa a Viena clássica. Inaugurado em 1876, o hotel fica a poucos passos da Ópera Estatal e da Albertina e preserva a elegância de outra época, com interiores refinados e uma longa história ligada à vida cultural da cidade. É também o endereço da famosa Sachertorte, o bolo de chocolate que se tornou um dos símbolos da confeitaria austríaca. Para quem quer mergulhar nas tradições vienenses, a experiência começa antes mesmo de sair do hotel.

A escolha depende do estilo de viagem: o Almanac oferece uma interpretação mais contemporânea da elegância vienense, enquanto o Sacher convida a mergulhar nas tradições da cidade. Dois endereços que revelam diferentes maneiras de viver Viena, inclusive depois de voltar dos passeios.

Viena cultural: dos cafés à música clássica

Em Viena, a cultura não se limita aos museus e palácios. Ela também está nas cafeterias centenárias, nos detalhes da arquitetura e nas salas de concerto que mantêm viva a tradição musical da cidade.

Comece pelo Café Imperial Wien, dentro do Hotel Imperial. Aberto em 1873, o endereço preserva a atmosfera dos grandes cafés vienenses, com interiores ornamentados e um ambiente que convida a ficar sem pressa. Peça uma Wiener Melange, bebida tradicional à base de café e leite, acompanhada de uma fatia da Imperial Torte, especialidade da casa. Uma maneira de conhecer a cidade por meio de um de seus rituais mais queridos.

Café Imperial Wien

Para conhecer melhor a história e a arquitetura da cidade, reserve um tempo para uma visita guiada à Ópera Estatal de Viena (Wiener Staatsoper). O passeio permite explorar os bastidores de uma das instituições culturais mais emblemáticas da capital austríaca, mesmo para quem não pretende assistir a um espetáculo. As visitas duram aproximadamente 40 minutos e acontecem em datas e horários específicos, por isso é importante consultar a disponibilidade com antecedência.

Para encerrar o dia, a sugestão é assistir a um concerto no Musikverein. Sua famosa Sala Dourada (Goldener Saal) é reconhecida internacionalmente pela acústica excepcional e recebe apresentações da Filarmônica de Viena, além de outros concertos ao longo do ano. Uma oportunidade de experimentar ao vivo a tradição musical que ajudou a transformar Viena em uma das grandes capitais culturais da Europa.

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the guest edit

VIENA POR NATÁLIA LAGE

Viena é uma cidade que eu estava doida para conhecer e que já estava há tempos na minha bucket list. Cheguei com as expectativas lá em cima, mas elas foram totalmente superadas. Me senti como se estivesse em Paris, só que em uma versão menor: avenidas largas e arborizadas, um número incontável de museus e fachadas lindas, que revelam os diferentes estilos arquitetônicos que marcaram a cidade, especialmente o Art Nouveau.

É um destino que tem despertado o interesse de muita gente e, como agente de viagens da Ruy Lage Turismo, gosto de estar sempre atualizada e conhecer de perto os lugares que recomendo. Para essa viagem, escolhi me hospedar no Mandarin Oriental, uma rede de que gosto bastante e que inaugurou seu primeiro hotel em Viena em dezembro de 2025.

Em cidades com uma história tão rica quanto Viena, também gosto de contratar guias locais. Minha dica é a Suzete, que fala um português maravilhoso e tornou o passeio uma experiência incrível e inesquecível.

E um dos lugares de que mais gostei foi a Biblioteca Nacional da Áustria. É surreal a quantidade de livros que existe ali dentro! Os painéis pintados à mão no teto são maravilhosos, e o conjunto é simplesmente impressionante.

PACKING PICK

Para entrar no clima de Viena antes mesmo de chegar, A Dama Dourada, de Anne-Marie O’Connor, é uma ótima companhia. O livro conta a história por trás de uma das obras mais famosas de Gustav Klimt, o retrato de Adele Bloch-Bauer, e transporta o leitor para uma Viena marcada pela efervescência artística, pela vida da alta sociedade e pelas transformações do início do século XX.

Mas a narrativa vai além da arte: acompanha também os efeitos da ascensão do nazismo e a disputa pela recuperação da pintura décadas depois. Uma leitura que ajuda a enxergar, por trás dos palácios e museus, as histórias que moldaram a cidade.

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